6.12.06

Ilha do Marajó, o paraíso é aqui!

Ilha do Marajó
A Ilha de Marajó pode ser considerada um lugar à parte do Brasil. A vida é mais calma, a fauna e a flora são exóticas e as paisagens mudam de tempos em tempos.

Mesmo nas principais cidades, Soure e Salvaterra, há búfalos pastando no meio das ruas. Uma prova de que, a tranqüilidade e a natureza, felizmente, ainda reinam por aqui.


Ilha do Marajó

Os prazeres da 5ª avenida

Localizada bem ao norte do estado do Pará, esta é a maior ilha fluviomarinha do mundo. Em toda a Ilha de Marajó moram cerca de 250 mil pessoas, quatro vezes menos que na capital do Pará, em um espaço equivalente aos estados de Alagoas e Sergipe juntos.

Banhada pelo Oceano Atlântico e pelos rios Amazonas e Tocantins, Marajó conta com a maior criação de búfalos do Brasil. O vaqueiro, aliás, é o personagem típico da ilha. Além dos búfalos fornecerem o couro e a carne, eles também são o meio de transporte. As grandes criações da ilha estão do lado mais próximo a Belém, por ser predominantemente composto por planícies. Nesta região vive a maioria dos habitantes. Soure, que é considerada a capital, tem pouco mais de 20 ruas e todas são conhecidas por números. A 5ª avenida é a principal.

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Mudanças ao longo do ano

Os cenários na Ilha de Marajó se transformam de seis em seis meses. Devido ao clima quente e úmido as chuvas são constantes e, de dezembro a junho, as cheias dos rios provocam um grande alagamento. Matas e campos ficam debaixo d'água. O segundo semestre, considerado o período da seca (embora a chuva seja constante o ano todo), é mais favorável às visitas, pois você pode observar melhor os animais e a vegetação.

As praias, praticamente inexploradas, são o grande atrativo. A praia do Pesqueiro, em Soure, é uma das preferidas, tanto pela população, quanto pelos visitantes. Nas poucas barraquinhas perto dos coqueiros à beira-mar, você pode saborear deliciosos peixes da região. Na maré baixa, a distância da faixa de areia até o mar na praia do Pesqueiro chega a quase um quilômetro.

Se você quer mais sossego, vá à praia de Araruna, também em Soure. Para chegar, o visitante passa por um mangue e um ninhal de garças, numa agradável travessia de barco. Em Salvaterra, cidade vizinha, você pode se refrescar do constante calor da ilha. A vila de Joannes, onde também há ruínas de construções dos jesuítas, a Água Boa e a Praia Grande são as melhores escolhas.


Ilha do Marajó

Criatividade em barro e couro

Com grande influência indígena e portuguesa, o artesanato da Ilha de Marajó é bastante conhecido e admirado na região. A cerâmica marajoara é o que mais se destaca, mas não deixe de apreciar o trabalho feito em couro, plantas e raízes aromáticas. A arte marajoara está exposta no Museu do Marajó(91/3758-1102), das 8h às 18h.

O museu fica em Cachoeira do Acari, cidade a 74km de Soure. Caso você queira esticar a viagem até Belém, o Museu Emílio Goeldi (91/3249-0234) é uma boa amostra dessa cultura.

Diante de tanta beleza feita a mão (seja em cerâmica ou nos artigos de couro de búfalo), certamente você vai se encantar e querer levar algo para casa. Em Soure, na Arte Caboclo (na Travessa 6) e na Curtume Marajó (Primeira Rua) o turista encontra diversas peças interessantes, escolha a que mais combina com você.


Fartura de Pescados

A paisagem da Ilha de Marajó é composta por florestas, gramados, lagos, praias de mar e de rio. Portanto, já se pode imaginar a variedade e a riqueza da sua culinária.

Os tucunarés, os tamuatás e os pirarucus são servidos com os temperos e raízes extraídos da própria mata, seguindo as tradições indígenas. Mas, o prato mais conhecido é o frito do vaqueiro, com carne de búfalo. No fim de tarde, nada como saborear um tacacá, uma espécie de sopa que leva camarão e jambu (raiz que deixa uma leve sensação de dormência na boca). Os nativos garantem que é afrodisíaco. Para experimentar essas maravilhas vá ao Delícias de Nalva, na Quarta Rua, em Soure, ou ao Minha Deusa, na estrada do Araruna.


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Não dá pra ficar parado

Quanto à música, o ritmo da ilha é o carimbó. Os grupos geralmente se apresentam nos hotéis de Soure e Salvaterra fazendo qualquer um levantar da cadeira. Lendas e tradições estão sempre presentes na vida dos habitantes. O Festival de Quadrilhas e Boi-Bumbá, que acontece em junho, e a festa de Nossa Senhora de Nazaré, em novembro, encantam a todos com a mistura de cores e a alegria contagiante.

Para entrar mesmo em contato com a vida na ilha, que tal viver algumas horas como um nativo? Na Ilha de Marajó você pode fazer vários passeios, juntamente com guias. Na Fazenda Bom Jesus (91-741-1243), além de conhecer uma infinidade de pássaros, você anda a cavalo ou a búfalo. Certamente vai ser uma experiência inesquecível para contar depois.

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Para você não se perder

Chegar na Ilha de Marajó não é difícil. Partindo de Belém, a viagem até Soure dura 4hs de barco e lhe mostra algumas das belezas do estado do Pará.

A travessia é feita pela Enasa (Empresa de Navegação da Amazônia). Para tirar dúvidas, ligue 91/3242-5870 ou escreva para enasa@enasa.com.br. Não esqueça a comodidade de viajar a bordo de um táxi aéreo, em vôos que duram de 20 a 30 minutos. Para informações, entre em contato com as próprias companhias: Brabo (91/3233-4884), Kovacs (91/3233-2786) e Dourado (91/3233-0605).

Seja como for, não deixe de conhecer a Ilha de Marajó. Um lugar diferente e único que, talvez por estar distante de tudo, consegue preservar a sua identidade.

Fonte: Férias Brasil
Fotos: Adilson Moralez